Gustavo Caciatori, COO do BariO Brasil chegou a 82,8 milhões de pessoas inadimplentes em março de 2026, segundo o Mapa da Inadimplência da Serasa, com dívida média de R$ 6.728,51 por pessoa. Atrás desse número existe um padrão que se repete: a maior parte das dívidas nasce de um grupo pequeno de causas e se concentra em poucos tipos de crédito, principalmente o cartão.
Entender essas causas e tipos é o primeiro passo para sair do ciclo de dívidas ou para evitar entrar nele. Neste guia, você confere os principais motivos que levam os brasileiros a se endividar, os tipos de dívida mais comuns e como identificar se a sua situação já pede uma reorganização financeira mais ampla.
Endividamento é a situação de quem possui uma ou mais dívidas em aberto, estejam elas em dia ou não. Já a inadimplência é uma etapa mais grave: acontece quando o pagamento de uma dívida não é feito na data combinada.
Ou seja, toda pessoa inadimplente está endividada, mas nem todo endividado é inadimplente. Um financiamento pago em dia é uma dívida saudável e planejada. Já uma fatura que vira o rotativo do cartão de crédito por atraso é sinal de que o endividamento começou a sair do controle.
Essa diferença importa porque as soluções mudam conforme o estágio. Endividamento saudável pede apenas organização e planejamento. Inadimplência recorrente costuma exigir renegociação ou, em casos de dívidas grandes e espalhadas, uma consolidação mais estruturada.
O endividamento das famílias brasileiras bateu recorde histórico em março de 2026, chegando a 80,4% segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). O índice era de 80,2% em fevereiro e de 77,1% em março de 2025.
Pelo Mapa da Inadimplência da Serasa, o país somava 82,8 milhões de inadimplentes no mesmo mês, alta de 1,35% frente a fevereiro. O número de dívidas em atraso chegou a 338,2 milhões, avanço de 1,83% no período.
Um dado chama atenção: a participação do setor financeiro (bancos, cartões e financeiras) no total das dívidas em atraso saltou de cerca de 38% no período pré-pandemia para 47% em março de 2026. Ou seja, o brasileiro está trocando atrasos em contas de consumo por dívidas bancárias, geralmente mais caras.
O comprometimento de renda reforça esse cenário. Em média, o brasileiro destina 70,5% dos ganhos para contas básicas e dívidas, segundo a Serasa. Entre quem ganha até um salário mínimo, esse percentual sobe para 90%, deixando pouquíssima margem para imprevistos.
As principais causas do endividamento no Brasil:
Causa do endividamento | Participação entre os inadimplentes |
|---|---|
Desemprego ou perda de renda | 38% |
Emergências de saúde ou acidentes | 16% |
Descontrole ou desorganização financeira | 13% |
Apoio financeiro a familiares ou amigos | 10% |
Atrasos em contas bancárias | 7% |
Somados, os motivos ligados à falta de planejamento e educação financeira chegam a 46% dos casos.
Fonte: Mapa da Inadimplência, Serasa (2026).
Uma pesquisa complementar da CNDL e do SPC Brasil, batizada de "Cenário da Inadimplência", aprofunda o lado comportamental do problema. Segundo o levantamento, 47% dos inadimplentes afirmam comprar para se sentir melhor emocionalmente, e 50% não resistem ao desejo de compra imediato, ignorando o planejamento.
As redes sociais também têm papel relevante nessa pesquisa: 41% dos entrevistados admitem já ter feito compras impensadas por causa de estímulos vistos nesses canais.
Já entre quem carrega dívidas há mais de três meses, o chamado "empréstimo de nome" (pegar dinheiro emprestado com terceiros) é o principal fator, presente em 25% dos casos, seguido por emergências familiares (16%) e falta de planejamento do orçamento (15%).
O cartão de crédito é o tipo de dívida mais comum entre os inadimplentes, presente em 73% dos casos. Dentro desse grupo, 37% têm dívidas acima de R$ 10 mil e 36% carregam o débito há mais de dois anos.
O empréstimo pessoal ou bancário aparece em seguida, citado por 53% dos inadimplentes, metade deles devendo mais de R$ 10 mil. Já o cheque especial e o limite da conta afetam 33% dos entrevistados, com 35% das dívidas acima de R$ 10 mil.
Tipo de dívida | Participação entre os inadimplentes | Taxa média de mercado |
|---|---|---|
Cartão de crédito (rotativo) | 73% | 432,1% a.a. |
Empréstimo pessoal sem garantia | 53% | 142,7% a.a. |
Cheque especial | 33% | até 150% a.a. (teto regulatório do Banco Central) |
Fontes: Mapa da Inadimplência (Serasa) e Estatísticas Monetárias e de Crédito (Banco Central).
O rotativo do cartão de crédito merece atenção à parte porque é ativado automaticamente sempre que o cliente paga menos do que o valor total da fatura. Sem perceber, o consumidor troca uma dívida administrável por uma das mais caras do sistema financeiro brasileiro.
A pesquisa da CNDL/SPC Brasil também mapeia o que motiva a compra por trás dessas dívidas. Os itens mais citados foram supermercado (45%), roupas e calçados (42%), remédios (31%, com destaque entre as classes A e B), eletrodomésticos (27%) e eletrônicos (25%). O valor médio das dívidas em atraso ficou em R$ 2.378 nessa amostra.
O perfil de quem mais se endivida revela desigualdades importantes. Segundo a pesquisa CNDL/SPC Brasil, as classes C, D e E representam 72% dos inadimplentes, contra 28% das classes A e B, e 51% dos devedores recebem até três salários mínimos.
A maioria segue trabalhando: 82% dos inadimplentes estão empregados, sendo 48% como CLT, 23% como autônomos e 11% como empreendedores. Apenas 18% estão fora do mercado de trabalho, o que reforça que o endividamento nem sempre está ligado à falta de renda, mas também à forma como ela é administrada.
Pelos dados da Serasa, a inadimplência também muda por faixa etária e gênero: consumidores acima de 60 anos ampliaram sua participação em 7 pontos percentuais na última década, e as mulheres já são maioria entre os inadimplentes, com 50,5% do total.
Alguns sinais ajudam a diferenciar uma dívida saudável de um endividamento que pede atenção imediata. O primeiro é recorrer ao rotativo do cartão ou ao cheque especial com frequência, mesmo em meses sem imprevistos.
Outro sinal é não conseguir somar com precisão o total devido entre cartão, empréstimos e parcelamentos em aberto. Consultar o próprio score de crédito e o histórico completo em um birô de crédito ajuda a montar esse retrato de forma organizada.
Por fim, vale observar o comprometimento de renda. Se mais de 30% do que você recebe já está reservado só para pagar dívidas, sem contar as contas essenciais, é hora de considerar uma reorganização mais estruturada.
Nem toda dívida se resolve com corte de gastos ou renegociação pontual. Programas como o Desenrola Brasil ajudam quem tem renda de até 5 salários mínimos e dívidas específicas de cartão, cheque especial ou empréstimo pessoal, com limite de R$ 15 mil por instituição.
Mas quando as dívidas são maiores, espalhadas entre vários credores, ou quando a renegociação pontual já não é suficiente, a solução tende a exigir uma estratégia mais ampla, como a consolidação de dívidas.
Gustavo Caciatori, COO do Bari e especialista em empréstimo com garantia de imóvel, explica por que o crédito com garantia real ganha espaço nesses casos: "o empréstimo consignado tem limites de margem, e em geral esse público já está com toda a margem tomada. Já o empréstimo pessoal é caro demais e costuma se limitar a valores mais baixos".
Segundo ele, para quem já possui um imóvel próprio, essa costuma ser a saída mais eficiente: "O Home Equity é o único que oferece a possibilidade de créditos com valores significativos, prazo alongado, em geral de até 20 anos, e taxas baixas. Hoje ele é o produto ideal para uma reestruturação financeira real".
Caciatori reforça, porém, que o crédito é apenas parte da solução:
"É preciso que o consumidor tenha em mente que ele é apenas uma ferramenta para a reorganização financeira. De nada adianta ter acesso a um bom produto se o comportamento do consumidor também não se ajustar à nova realidade".
Agora que você já entende as causas e os principais tipos de dívida no Brasil, é hora de avaliar a sua própria situação. Se o seu caso envolve várias dívidas caras, como cartão, cheque especial e empréstimo pessoal, e você tem um imóvel próprio, existe um caminho para transformar tudo isso em uma única parcela mais leve.
Conheça o empréstimo com garantia de imóvel do Banco Bari, com taxas a partir de 1,09% a.m. + IPCA e até 240 meses para pagar, e veja como consolidar suas dívidas em uma parcela que cabe no seu orçamento.
Qual é a principal causa do endividamento no Brasil?
O desemprego ou a perda de renda, citado por 38% dos inadimplentes, segundo o Mapa da Inadimplência da Serasa.
Qual o tipo de dívida mais comum entre os brasileiros?
O cartão de crédito, presente em 73% dos casos de inadimplência, à frente do empréstimo pessoal e do cheque especial.
Qual a diferença entre endividamento e inadimplência?
Endividamento é ter dívidas, em dia ou não. Inadimplência é deixar de pagar uma dívida na data combinada.
Por que o crédito sem garantia é tão caro no Brasil?
Por causa do spread bancário elevado e do maior risco de calote, o que encarece linhas como cartão e cheque especial.
Quando vale a pena consolidar as dívidas em vez de negociar uma a uma?
Quando as dívidas são muitas, de valor alto ou espalhadas entre credores diferentes, especialmente para quem tem imóvel próprio.
