Endividamento no Brasil: causas e tipos mais comuns

Dados atualizados dos de dívida mais comuns

5 min
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27 de julho de 2026
Gustavo Caciatori, COO do Bari
Endividamento no Brasil: causas e tipos mais comunsConsolidação de dívidas
Endividamento no Brasil: causas e tipos mais comuns

Endividamento é o acúmulo de dívidas que pesam no orçamento. As causas mais comuns são desemprego (38%), emergências de saúde (16%) e falta de planejamento, segundo a Serasa. O cartão de crédito lidera os tipos de dívida, presente em 73% dos inadimplentes.

O Brasil chegou a 82,8 milhões de pessoas inadimplentes em março de 2026, segundo o Mapa da Inadimplência da Serasa, com dívida média de R$ 6.728,51 por pessoa. Atrás desse número existe um padrão que se repete: a maior parte das dívidas nasce de um grupo pequeno de causas e se concentra em poucos tipos de crédito, principalmente o cartão.

Entender essas causas e tipos é o primeiro passo para sair do ciclo de dívidas ou para evitar entrar nele. Neste guia, você confere os principais motivos que levam os brasileiros a se endividar, os tipos de dívida mais comuns e como identificar se a sua situação já pede uma reorganização financeira mais ampla.

O que é endividamento e qual a diferença para inadimplência?

Endividamento é a situação de quem possui uma ou mais dívidas em aberto, estejam elas em dia ou não. Já a inadimplência é uma etapa mais grave: acontece quando o pagamento de uma dívida não é feito na data combinada.

Ou seja, toda pessoa inadimplente está endividada, mas nem todo endividado é inadimplente. Um financiamento pago em dia é uma dívida saudável e planejada. Já uma fatura que vira o rotativo do cartão de crédito por atraso é sinal de que o endividamento começou a sair do controle.

Essa diferença importa porque as soluções mudam conforme o estágio. Endividamento saudável pede apenas organização e planejamento. Inadimplência recorrente costuma exigir renegociação ou, em casos de dívidas grandes e espalhadas, uma consolidação mais estruturada.

Panorama do endividamento no Brasil em 2026

O endividamento das famílias brasileiras bateu recorde histórico em março de 2026, chegando a 80,4% segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). O índice era de 80,2% em fevereiro e de 77,1% em março de 2025.

Pelo Mapa da Inadimplência da Serasa, o país somava 82,8 milhões de inadimplentes no mesmo mês, alta de 1,35% frente a fevereiro. O número de dívidas em atraso chegou a 338,2 milhões, avanço de 1,83% no período.

Um dado chama atenção: a participação do setor financeiro (bancos, cartões e financeiras) no total das dívidas em atraso saltou de cerca de 38% no período pré-pandemia para 47% em março de 2026. Ou seja, o brasileiro está trocando atrasos em contas de consumo por dívidas bancárias, geralmente mais caras.

O comprometimento de renda reforça esse cenário. Em média, o brasileiro destina 70,5% dos ganhos para contas básicas e dívidas, segundo a Serasa. Entre quem ganha até um salário mínimo, esse percentual sobe para 90%, deixando pouquíssima margem para imprevistos.

 

As principais causas do endividamento no Brasil:

Causa do endividamento

Participação entre os inadimplentes

Desemprego ou perda de renda

38%

Emergências de saúde ou acidentes

16%

Descontrole ou desorganização financeira

13%

Apoio financeiro a familiares ou amigos

10%

Atrasos em contas bancárias

7%

 

Somados, os motivos ligados à falta de planejamento e educação financeira chegam a 46% dos casos.

Fonte: Mapa da Inadimplência, Serasa (2026).

Uma pesquisa complementar da CNDL e do SPC Brasil, batizada de "Cenário da Inadimplência", aprofunda o lado comportamental do problema. Segundo o levantamento, 47% dos inadimplentes afirmam comprar para se sentir melhor emocionalmente, e 50% não resistem ao desejo de compra imediato, ignorando o planejamento.

As redes sociais também têm papel relevante nessa pesquisa: 41% dos entrevistados admitem já ter feito compras impensadas por causa de estímulos vistos nesses canais

Já entre quem carrega dívidas há mais de três meses, o chamado "empréstimo de nome" (pegar dinheiro emprestado com terceiros) é o principal fator, presente em 25% dos casos, seguido por emergências familiares (16%) e falta de planejamento do orçamento (15%).

Os principais tipos de dívida dos brasileiros

O cartão de crédito é o tipo de dívida mais comum entre os inadimplentes, presente em 73% dos casos. Dentro desse grupo, 37% têm dívidas acima de R$ 10 mil e 36% carregam o débito há mais de dois anos.

O empréstimo pessoal ou bancário aparece em seguida, citado por 53% dos inadimplentes, metade deles devendo mais de R$ 10 mil. Já o cheque especial e o limite da conta afetam 33% dos entrevistados, com 35% das dívidas acima de R$ 10 mil.

Tipo de dívida

Participação entre os inadimplentes

Taxa média de mercado

Cartão de crédito (rotativo)

73%

432,1% a.a. 

Empréstimo pessoal sem garantia

53%

142,7% a.a. 

Cheque especial

33%

até 150% a.a. (teto regulatório do Banco Central)

Fontes: Mapa da Inadimplência (Serasa)Estatísticas Monetárias e de Crédito (Banco Central).

rotativo do cartão de crédito merece atenção à parte porque é ativado automaticamente sempre que o cliente paga menos do que o valor total da fatura. Sem perceber, o consumidor troca uma dívida administrável por uma das mais caras do sistema financeiro brasileiro.

A pesquisa da CNDL/SPC Brasil também mapeia o que motiva a compra por trás dessas dívidas. Os itens mais citados foram supermercado (45%), roupas e calçados (42%), remédios (31%, com destaque entre as classes A e B), eletrodomésticos (27%) e eletrônicos (25%). O valor médio das dívidas em atraso ficou em R$ 2.378 nessa amostra.

Quem é mais afetado pelo endividamento no Brasil?

O perfil de quem mais se endivida revela desigualdades importantes. Segundo a pesquisa CNDL/SPC Brasil, as classes C, D e E representam 72% dos inadimplentes, contra 28% das classes A e B, e 51% dos devedores recebem até três salários mínimos.

A maioria segue trabalhando: 82% dos inadimplentes estão empregados, sendo 48% como CLT, 23% como autônomos e 11% como empreendedores. Apenas 18% estão fora do mercado de trabalho, o que reforça que o endividamento nem sempre está ligado à falta de renda, mas também à forma como ela é administrada.

Pelos dados da Serasa, a inadimplência também muda por faixa etária e gênero: consumidores acima de 60 anos ampliaram sua participação em 7 pontos percentuais na última década, e as mulheres já são maioria entre os inadimplentes, com 50,5% do total.

Como identificar se o seu endividamento já é um problema

Alguns sinais ajudam a diferenciar uma dívida saudável de um endividamento que pede atenção imediata. O primeiro é recorrer ao rotativo do cartão ou ao cheque especial com frequência, mesmo em meses sem imprevistos.

Outro sinal é não conseguir somar com precisão o total devido entre cartão, empréstimos e parcelamentos em aberto. Consultar o próprio score de crédito e o histórico completo em um birô de crédito ajuda a montar esse retrato de forma organizada.

Por fim, vale observar o comprometimento de renda. Se mais de 30% do que você recebe já está reservado só para pagar dívidas, sem contar as contas essenciais, é hora de considerar uma reorganização mais estruturada.

Quando o endividamento pede uma reorganização mais ampla

Nem toda dívida se resolve com corte de gastos ou renegociação pontual. Programas como o Desenrola Brasil ajudam quem tem renda de até 5 salários mínimos e dívidas específicas de cartão, cheque especial ou empréstimo pessoal, com limite de R$ 15 mil por instituição.

Mas quando as dívidas são maiores, espalhadas entre vários credores, ou quando a renegociação pontual já não é suficiente, a solução tende a exigir uma estratégia mais ampla, como a consolidação de dívidas.

 

Gustavo Caciatori, COO do Bari e especialista em empréstimo com garantia de imóvel, explica por que o crédito com garantia real ganha espaço nesses casos: "o empréstimo consignado tem limites de margem, e em geral esse público já está com toda a margem tomada. Já o empréstimo pessoal é caro demais e costuma se limitar a valores mais baixos".

Segundo ele, para quem já possui um imóvel próprio, essa costuma ser a saída mais eficiente: "O Home Equity é o único que oferece a possibilidade de créditos com valores significativos, prazo alongado, em geral de até 20 anos, e taxas baixas. Hoje ele é o produto ideal para uma reestruturação financeira real".

 

Caciatori reforça, porém, que o crédito é apenas parte da solução:

"É preciso que o consumidor tenha em mente que ele é apenas uma ferramenta para a reorganização financeira. De nada adianta ter acesso a um bom produto se o comportamento do consumidor também não se ajustar à nova realidade".

 

Agora que você já entende as causas e os principais tipos de dívida no Brasil, é hora de avaliar a sua própria situação. Se o seu caso envolve várias dívidas caras, como cartão, cheque especial e empréstimo pessoal, e você tem um imóvel próprio, existe um caminho para transformar tudo isso em uma única parcela mais leve.

Conheça o empréstimo com garantia de imóvel do Banco Bari, com taxas a partir de 1,09% a.m. + IPCA e até 240 meses para pagar, e veja como consolidar suas dívidas em uma parcela que cabe no seu orçamento.

Perguntas Frequentes 

Qual é a principal causa do endividamento no Brasil? 

O desemprego ou a perda de renda, citado por 38% dos inadimplentes, segundo o Mapa da Inadimplência da Serasa.

Qual o tipo de dívida mais comum entre os brasileiros? 

O cartão de crédito, presente em 73% dos casos de inadimplência, à frente do empréstimo pessoal e do cheque especial.

Qual a diferença entre endividamento e inadimplência? 

Endividamento é ter dívidas, em dia ou não. Inadimplência é deixar de pagar uma dívida na data combinada.

Por que o crédito sem garantia é tão caro no Brasil? 

Por causa do spread bancário elevado e do maior risco de calote, o que encarece linhas como cartão e cheque especial.

Quando vale a pena consolidar as dívidas em vez de negociar uma a uma? 

Quando as dívidas são muitas, de valor alto ou espalhadas entre credores diferentes, especialmente para quem tem imóvel próprio.

 

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