Taxa Referencial: o que é e como afeta seus investimentos

Saiba como o Banco Central calcula a TR e como ela impacta sua vida financeira

4 min
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22 de junho de 2026
Escrito por Equipe Bari
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Taxa Referencial: o que é e como afeta seus investimentos
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Taxa Referencial (TR) é um índice calculado diariamente pelo Banco Central com base nas Letras do Tesouro Nacional. Em junho de 2026, a TR está em 0,17% ao mês (2,02% acumulada em 12 meses) e impacta financiamentos imobiliários, FGTS e poupança.

 

Se você já assinou um contrato de financiamento imobiliário, consultou o saldo do FGTS ou leu as regras da poupança, provavelmente já se deparou com a sigla TR. Ela aparece com frequência, mas poucas pessoas entendem o que ela significa, como é calculada e por que importa para o seu dinheiro.

 

A Taxa Referencial, ou TR, é um dos índices financeiros mais antigos do sistema brasileiro ainda em uso. Criada em 1991 com objetivos muito específicos, ela sobreviveu a planos econômicos, crises e reformas, e continua sendo usada como base de reajuste em contratos de grande impacto no dia a dia das famílias.

 

Neste artigo, você vai entender o que é a TR, como o Banco Central a calcula, qual é o seu valor atual e como ela afeta contratos de financiamento imobiliário, FGTS e outros produtos financeiros.

O que é a Taxa Referencial (TR)?

A TR é uma taxa de juros de referência criada e controlada pelo Banco Central do Brasil. Diferente da Selic, que é a taxa básica da economia, a TR não é uma taxa de crédito: ela é usada como índice de correção monetária em contratos específicos.

 

Na prática, a TR funciona como um multiplicador que corrige o valor de saldo devedor, depósitos ou fundos ao longo do tempo. Ela é calculada diariamente e divulgada mensalmente pelo Banco Central.

 

Seu valor em junho de 2026 é de 0,17% ao mês (ou 0,1709%, precisamente), com acumulado de 2,02% nos últimos 12 meses, segundo dados publicados no site debit.com.br com base nas divulgações do Banco Central.

 

Para que a Taxa Referencial foi criada?

A TR foi criada pelo Plano Collor II, em fevereiro de 1991, durante o governo Fernando Collor. O Brasil vivia um período de hiperinflação severa: em 1990, o IPCA acumulou alta de 1.621%. O objetivo da TR era duplo: servir como indexador alternativo para os contratos financeiros e ajudar na desindexação da economia, ou seja, romper com a prática de reajustar tudo automaticamente pela inflação passada.

 

No início, a TR foi bastante volátil, chegando a superar 2% ao mês em alguns períodos. Com a estabilização trazida pelo Plano Real em 1994 e o controle gradual da inflação, a TR foi caindo até praticamente zerar em alguns períodos entre 2017 e 2021. Em 2022 e 2023, com a Selic subindo, a TR voltou a registrar valores positivos, chegando a acumular mais de 1% ao ano. Com a Selic ainda em 14,25% ao ano em 2026, a TR permanece em patamar relevante para quem tem contratos indexados a ela.

Como o Banco Central calcula a TR

A fórmula de cálculo da TR envolve dois elementos principais: a TBF (Taxa Básica Financeira) e um redutor.

A fórmula oficial é: TR = 100 x {[(1 + TBF) / R] - 1}

 

Onde R é o redutor, calculado pela fórmula R = a + b x TBF, sendo "a" um valor fixo de 1,005 e "b" um coeficiente divulgado mensalmente pelo Banco Central.

 

A TBF, por sua vez, é calculada com base na média ponderada das taxas das Letras do Tesouro Nacional (LTN) negociadas no mercado secundário. Desde 2018, essa é a referência usada, substituindo os CDBs de 30 dias que serviam de base anteriormente.

 

Um detalhe importante: quando o resultado do cálculo da TR é negativo, o Banco Central convenciona o valor como zero. Isso garante que a TR nunca resulte em redução de saldos corrigidos por ela.

 

A TR é calculada diariamente e publicada no site do Banco Central e em plataformas especializadas como o debit.com.br.

Como a TR afeta os contratos de financiamento imobiliário

Os contratos de financiamento imobiliário pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH) utilizam a fórmula de correção pelo índice TR mais uma taxa de juros fixa. Quando você vê em um contrato de financiamento a cláusula "11,19% ao ano + TR", isso significa que o saldo devedor é corrigido mensalmente pela TR antes da aplicação dos juros.

 

Com a TR em 0,17% ao mês em junho de 2026, um saldo devedor de R$ 300.000 teria correção de aproximadamente R$ 510 antes dos juros mensais. Ao longo de 12 meses com a TR acumulada em 2,02%, esse mesmo saldo seria corrigido em R$ 6.060 apenas pelo índice.

 

Esse mecanismo faz com que o saldo devedor caia mais lentamente nos primeiros anos do financiamento do que nos sistemas corrigidos apenas por juros fixos. Entender essa dinâmica é fundamental para quem está planejando amortizar o prazo ou a prestação em um financiamento imobiliário.

Como a TR afeta a poupança

O rendimento da poupança é calculado pela fórmula: 0,5% ao mês + TR, desde que a Selic esteja acima de 8,5% ao ano. Com a Selic em 14,25% em junho de 2026, a poupança rende exatamente 0,5% ao mês mais a TR do período.

 

Com a TR em 0,17% ao mês, o rendimento bruto da poupança fica em 0,67% ao mês, ou aproximadamente 8,35% ao ano. Esse valor é inferior ao rendimento de CDBs de bancos médios e de LCIs, tornando a poupança a opção menos atrativa entre os investimentos de renda fixa no cenário atual.

Como a TR afeta o FGTS

O saldo do FGTS cresce à taxa de 3% ao ano mais TR. Isso significa que, com a TR acumulada em 2,02% ao ano em junho de 2026, o rendimento total do FGTS nesse período seria de aproximadamente 5,02% ao ano.

 

Comparado à Selic de 14,25%, o FGTS rende muito menos. Esse é um dos motivos pelos quais muitos trabalhadores optam por usar o saldo do FGTS para amortizar o saldo devedor do financiamento imobiliário: o rendimento do fundo é inferior ao custo do financiamento, então usar o FGTS para abater a dívida representa um ganho financeiro real.

TR versus outros índices: qual a diferença?

A TR não é o único índice usado em contratos financeiros. Veja como ela se compara aos principais:

 

IPCA é o índice oficial de inflação do Brasil, medido pelo IBGE. Contratos indexados ao IPCA, como alguns CDBs e LCIs do Banco Bari, garantem proteção contra a inflação. Em 2025, o IPCA acumulou 4,26%. A TR acumulou 1,97% no mesmo período, abaixo da inflação.

 

CDI acompanha de perto a Selic, que em junho de 2026 está em 14,25%, e é usado como referência para CDBs e fundos de renda fixa. Ele não é um índice de correção de saldo, mas sim de remuneração.

Vale a pena manter o dinheiro na poupança com a TR atual?

Ao comparar a rentabilidade, investimentos atrelados ao IPCA e ao CDI mostram-se mais vantajosos que a poupança, cuja remuneração é limitada à TR. Enquanto a poupança muitas vezes perde para a inflação, os ativos indexados ao IPCA garantem a proteção do seu poder de compra, e aqueles atrelados ao CDI oferecem retornos historicamente superiores à caderneta. 

 

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Perguntas frequentes

O que é a taxa referencial hoje? 

Em junho de 2026, a TR está em 0,17% ao mês (0,1709%), com acumulado de 2,02% nos últimos 12 meses, conforme dados divulgados com base nas publicações do Banco Central.

 

A TR pode ser negativa? 

Não, por convenção do Banco Central, quando o resultado do cálculo da TR seria negativo, o valor é fixado em zero. Isso ocorreu em alguns períodos entre 2017 e 2021.

 

Como consultar o valor oficial da TR? 

O Banco Central publica os valores da TR em seu portal (bcb.gov.br) e na calculadora do cidadão. Sites como debit.com.br e reúnem o histórico mensal da TR de forma acessível.

 

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