Mateus Fogaça
Contratar o empréstimo com garantia de imóvel segue um caminho relativamente direto: simulação online, análise de crédito, avaliação do imóvel, assinatura do contrato com alienação fiduciária e registro em cartório. Depois disso, o valor cai na conta do cliente.
De acordo com a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), as concessões da modalidade somaram R$ 3,166 bilhões apenas no primeiro trimestre de 2026, alta de 25,83% frente ao mesmo período de 2025 e o maior volume já registrado para o período. Se você já decidiu contratar, este guia explica o que esperar de cada etapa, como as taxas são calculadas e o que considerar antes de assinar. Boa leitura.
Antes de entender cada etapa em detalhes, vale reforçar o que é o empréstimo com garantia de imóvel e como ele funciona de ponta a ponta. Esse guia completo reúne todas as informações sobre o produto, incluindo taxas, prazos e vantagens.
De forma resumida, a contratação segue estas etapas:
A seguir, você entende cada uma dessas etapas com mais detalhes.
A simulação é o ponto de partida de qualquer contratação. Nela, o cliente informa o valor estimado do imóvel, o valor de crédito desejado e o prazo pretendido, e recebe uma estimativa de taxa e parcela, sem qualquer compromisso.
Fazer a simulação com antecedência ajuda a entender se o valor liberado atende ao seu objetivo, seja quitar dívidas, investir no próprio negócio ou reformar o imóvel. Simule seu empréstimo com garantia de imóvel e veja o cenário estimado para o seu perfil antes de avançar para as próximas etapas.
Nesta etapa o banco realiza a análise de crédito de quem pretende contratar o empréstimo, etapa que vai muito além da consulta ao score. Segundo Mateus Vargas Fogaça, especialista em regulamentação do Bari,
"o empréstimo com garantia de imóvel não se baseia apenas na pontuação de crédito (score) do cliente. O processo inclui uma série de avaliações rigorosas, abrangendo aspectos jurídicos, a capacidade de renda do cliente e a análise do próprio imóvel".
Esse conjunto de critérios explica por que quem está com o nome negativado ainda pode ter o crédito aprovado: a decisão considera a renda comprovada, a situação jurídica do imóvel e o valor da garantia, e não apenas o histórico de restrições. Saiba mais em análise de crédito.
Depois da simulação, o imóvel passa por uma avaliação técnica, feita por profissional especializado, que confirma o valor de mercado real do bem. É esse valor, e não o valor estimado na simulação, que baliza o crédito final aprovado.
A partir da avaliação, calcula-se o LTV (Loan-to-Value), ou seja, o percentual do valor do imóvel que pode ser liberado como crédito.
"Na prática, o imóvel passa por um processo de alienação fiduciária registrado na matrícula. Isso permite que o cliente acesse até 60% do valor de avaliação do imóvel como crédito (LTV) para usar como desejar", explica Mateus Vargas Fogaça, especialista em regulamentação do Bari.
Com o valor aprovado, o contrato é assinado e a garantia é formalizada por meio da alienação fiduciária, instrumento jurídico previsto na Lei nº 9.514/97. No caso da linha de crédito do Banco Bari, essa base legal é complementada pela Lei nº 13.476/17, voltada a operações de crédito com garantias flutuantes.
Depois da assinatura, o contrato precisa ser levado ao Cartório de Registro de Imóveis responsável, onde a alienação fiduciária é averbada diretamente na matrícula do bem. Esse registro garante segurança jurídica à operação, tanto para o banco quanto para o cliente, e formaliza definitivamente a garantia.
Vale destacar que o registro em cartório não retira o direito de posse do imóvel: o cliente continua morando ou podendo alugar o bem normalmente, desde que as parcelas estejam em dia.
Depois da avaliação e do registro, a última variável a entender antes de assinar é a taxa de juros. No Banco Bari, ela pode ser contratada em dois modelos: pré-fixado ou pós-fixado, atrelado ao IPCA.
Na modalidade pré-fixada, a taxa de juros é definida no momento da contratação e permanece igual do início ao fim do contrato, sem qualquer variação. Já na modalidade pós-fixada, a taxa é composta por um percentual fixo somado à variação do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) apurada no período.
No Banco Bari, a taxa do empréstimo com garantia de imóvel no modelo pós-fixado é a partir de 1,09% a.m. mais IPCA. Segundo o IBGE, o IPCA acumulado nos últimos 12 meses até junho de 2026 foi de 4,64%, com desaceleração frente aos 4,72% de maio.
Diferente de linhas atreladas à Selic, o empréstimo com garantia de imóvel pós-fixado usa o IPCA como referência, um índice historicamente mais estável no longo prazo, o que tende a suavizar oscilações bruscas na parcela ao longo de contratos de até 20 anos.
A tabela abaixo resume as principais diferenças entre os dois modelos:
Característica | Taxa pré-fixada | Taxa pós-fixada (IPCA) |
|---|---|---|
Como é definida | Percentual fixo do início ao fim | Percentual fixo somado à variação do IPCA |
Previsibilidade da parcela | Alta, parcela estável | Variável conforme a inflação do período |
Risco de inflação | Assumido pelo banco | Compartilhado com o cliente |
Indicado para | Quem busca previsibilidade total | Quem aceita variação em troca de taxa inicial menor |
No modelo pós-fixado, o saldo devedor é corrigido pela variação do IPCA, índice que oscila mês a mês, antes do cálculo da amortização e dos juros do período. Isso significa que, em meses de inflação mais alta, o valor atualizado da dívida pode crescer, mesmo com o pagamento das parcelas em dia. Em meses de IPCA mais alto, a parcela tende a subir; em meses de IPCA mais baixo, ou até negativo, ela pode recuar.
Esse efeito costuma ser temporário: à medida que as parcelas são pagas e o contrato avança, a tendência natural é de queda do saldo devedor, já que a amortização supera a correção monetária na maior parte do prazo. Ainda assim, é importante entender esse mecanismo antes de contratar, para não estranhar eventuais oscilações no extrato do contrato.
Essa variação é a principal diferença em relação ao modelo pré-fixado, no qual a parcela permanece a mesma durante todo o contrato. Antes de escolher entre os dois modelos, vale considerar a estabilidade de renda do cliente e o quanto ele está disposto a conviver com oscilações mensais na prestação.
Todo contrato do empréstimo com garantia de imóvel inclui dois seguros obrigatórios: o MIP (Morte e Invalidez Permanente) e o DFI (Danos Físicos ao Imóvel). Eles são exigidos em todos os contratos de crédito imobiliário para resguardar as duas partes, cliente e instituição financeira, contra eventuais ocorrências.
O MIP protege o cliente e seus dependentes em caso de morte ou invalidez permanente do titular do contrato, quitando o saldo devedor junto ao banco nessas situações.
Já o DFI cobre danos físicos ao imóvel dado em garantia, como incêndio ou explosão, protegendo o valor do bem que sustenta a operação.
Saiba mais em seguro MIP e DFI: o que são, conceito e qual a importância
Depois de contratado, o cliente pode antecipar pagamentos a qualquer momento para reduzir o saldo devedor, prática conhecida como amortização extraordinária. Segundo Mateus Vargas Fogaça, "o cliente tem o direito de realizar a amortização extraordinária a qualquer momento, escolhendo entre três caminhos práticos".
Esses três caminhos são:
Um ponto importante para quem é pessoa física: "a legislação brasileira proíbe a cobrança de tarifas de liquidação antecipada para pessoas físicas", segundo o especialista em regulamentação do Banco Bari. Já para pessoa jurídica, a cobrança pode ocorrer conforme as normas vigentes do Conselho Monetário Nacional (CMN).
Para entender qual sistema de amortização (SAC ou Price) e qual estratégia de antecipação combinam mais com o seu momento financeiro, veja amortizar prazo ou prestação: qual a melhor escolha?
Quem já tem o imóvel avaliado e a garantia registrada também pode optar por contratar a linha de crédito com garantia de imóvel, uma modalidade que permite acessar novos valores ao longo do tempo usando o mesmo imóvel como lastro, sem precisar abrir um contrato novo a cada necessidade.
Essa alternativa costuma ser interessante para quem prevê precisar de crédito mais de uma vez, seja para tocar um projeto em etapas, seja para manter uma reserva de crédito disponível para imprevistos. Saiba mais em: tudo sobre a linha de crédito com garantia de imóvel do Banco Bari.
Antes de simular, vale reunir a documentação pessoal (RG, CPF, comprovante de renda e de residência) e do imóvel (matrícula atualizada e IPTU em dia), o que agiliza a análise. Veja a lista completa em: 7 documentos para contratar o empréstimo com garantia de imóvel.
Reunida a documentação, o processo costuma ser mais rápido do que se imagina, já que boa parte das etapas, da simulação à assinatura, pode ser feita de forma digital.
Quanto tempo leva para contratar o empréstimo com garantia de imóvel?
O prazo varia conforme a avaliação do imóvel e a análise de crédito, em média 15 dias, mas boa parte do processo pode ser feita de forma digital, da simulação à assinatura.
Como funciona a taxa pós-fixada atrelada ao IPCA?
Ela soma um percentual fixo à variação mensal do IPCA, por isso a parcela e o saldo devedor podem oscilar conforme a inflação do período.
O seguro MIP e DFI é obrigatório?
Sim, os dois seguros são exigidos em todo contrato de crédito imobiliário e protegem o cliente e o imóvel dado em garantia.
Posso quitar o empréstimo com garantia de imóvel antes do prazo sem multa?
Sim, pessoas físicas têm direito a amortizar ou quitar antecipadamente sem cobrança de tarifa de liquidação antecipada.
Como conseguir mais crédito depois de contratar o empréstimo?
Uma opção é contratar a linha de crédito com garantia de imóvel, que permite acessar novos valores ao longo do tempo usando o
Reuniu a documentação e entendeu como funciona cada etapa? Então o próximo passo é simular suas condições reais. Simule agora seu empréstimo com garantia de imóvel no Banco Bari e descubra, sem compromisso, o valor, a taxa e o prazo disponíveis para o seu imóvel.